22 de fevereiro de 2013

Uma breve reflexão sobre o meu desporto de competição

Andebol. Há cerca de 16 anos que me dedico ao andebol. Os primeiros 3 anos num clube da terra, pequenino, sem grandes ambições, onde se juntava um grupo de raparigas. No ano em que ficou sem meios financeiros o grupo acabou e tive a sorte de entrar num outro clube que estava a iniciar! Comecei lá desde o seu início. A estrear. Neste clube pratica-se desporto de competição. Com regras. Muitas regras. Treinos 4 vezes por semana e jogos ao fim de semana. Ainda chegamos a ter treinos de manhã, duas vezes por semana. Em alguns anos também tivemos estágio. Fazíamos praticamente tudo que um atleta profissional faz, com a diferença que não temos salário. Era a mais nova. Comecei a ver os jogos na bancada. A equipa estava repleta de estrelas e eu estava a começar a aprender. Depois lá fui sendo convocada e ficava toda contente por estar no mesmo banco que tantas outras, algumas até já tinham passado pela seleção nacional. Vivi muita coisa. Vitórias. Derrotas. Muitas amizades. Muitas viagens, de camioneta, de carro e de avião. Muitas praxadelas. Lesões. Idas ao hospital. Festas. Deixei de viver muita coisa. Aniversários de familiares. Praxes e jantares académicos. Programas com amigos. Noitadas na adolescência. Fins de semana sem namorar. Os anos foram passando. As pessoas foram saindo e novas foram entrando. Comecei a ser das mais velhas e com isso veio a experiência. Já era a primeira opção do treinador e jogava a maior parte do tempo. O tempo continuou a passar até que antes de engravidar já tinha estatuto de capitã (umas das capitãs da equipa). Ficava nervosa antes dos jogos, pois sabia que ia ter que entrar para lutar pelo sucesso. A equipa contava comigo. Estava no meu topo.
Quis assinar por mais uma época. O Baby Boy nasceu em Junho e em Setembro já eu estava na pesada  e dolorosa pré-época. Faço 2 treinos por semana e tenho jogos ao fim de semana. Mas agora custa. Pelo cansaço de noites mal dormidas. Por preocupações quando o Baby Boy está doente. Pelo tempo em que não estou a brincar com a minha cria. Pelos fins de semana deixados pendurados porque tenho jogo fora. E isso resulta em mais cansaço. Em rendimento fraco. Pouca resistência. Longe daquilo que já consegui fazer pela equipa. 
Pela primeira vez em muitos anos não fui convocada para um jogo. Não fiquei triste. Fiquei aliviada por poder ficar com o Baby Boy, principalmente agora que ele está constipado. E assim tenho mais tempo para a família e para estar em casa. Mas ficou uma mágoa. Por não ser necessária ao sucesso da equipa. Por sentir que qualquer pessoa me pode substituir. Senti-me ninguém. 
E para não pensar nestas coisas decidi aceitar o desafio da F. e ir fazer uma aula no ginásio onde ela anda. Vai ser a minha estreia nestas andanças de aulas de nádegas e glúteos e coisas do género. Afinal de contas tenho o fim de semana para recuperar. O próximo treino é só para a semana que vem.

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