13 de janeiro de 2015

Pessoas estranhas

Há uns dias atrás falava com uns amigos sobre pessoas estranhas que aparecem na nossa vida. E são estranhas porque têm condutas.....estranhas, pelo menos no nosso entender! São pessoas normais, saudáveis, muitas vezes até simpáticas (outras vezes muito mal educadas), que desencadeiam uma série de comportamentos estranhos à nossa realidade.
E lembrei-me de um episódio dos mais estranhos da minha vida.
Tinha acabado de entrar na faculdade e estávamos na primeira semana de praxe. Numa das viagens de regresso a casa encontrei uma colega de turma na paragem de autocarro e, por coincidência, entrámos no mesmo número. Fomos fazendo conversa e, umas quantas paragens antes da minha, a rapariga disse "Estou ali a morar num apartamento alugado, por isso saio nesta". Saiu. Quando olhei apenas vi vários blocos de prédios numa área residencial bastante extensa.
Na segunda semana de aulas, logo bem cedo, uma outra colega de turma (com quem por acaso tinha trocado número de telemóvel) ligou-me e disse que a rapariga que tinha ido comigo de autocarro estava muito mal em casa, não era de cá, precisava de ajuda e só eu é que sabia onde ela morava. 
Não pensei muito, peguei num pacote de bolachas, no passe de autocarro, telemóvel e saí. Ia apenas com a paragem onde ela saiu na memória e um ponto de referência: "ela mora em cima de uma papelaria". Quando cheguei ao conjunto de prédios fiquei sem saber por onde começar. Perguntei a quem ia encontrando pelo caminho e lá dei com a papelaria. Fui tocando às campainhas da entrada mesmo ao lado e à segunda ou terceira vez a rapariga atendeu.
Quando entrei nem queria acreditar. Ela estava meeeesssmo mal disposta, tal era o cenário. Perguntei o que se passava, porque é que ainda não tinha ligado a ninguém da família ou ao 112. Ela só disse que estava mal, que a família não podia saber e que não queria ir para o hospital. Ok, boa!
Liguei para o 112. Não fazia a mínima ideia porque ela estava assim. Só a tinha visto umas poucas de vezes nas aulas e falado com ela na viagem de autocarro. A ambulância chegou e já no hospital perguntaram o que se passava. Entreguei a carteira com os documentos e disse que nem eu sabia bem, só nos conhecíamos há uns dias. Fiquei lá o dia todo à espera de saber o que se passava e, já no final do dia, consegui ir ter com ela. Ia ter que ficar internada para perceberem o que era e que a qualquer momento podia ter alta. Perguntei pelos pais. Ela disse que os avisaram, mas que eles não podiam ir lá!!!!!! 
Prontifiquei-me a ir lá buscá-la assim que recebesse alta e no dia seguinte de manhã recebi o telefonema. Fui com o meu pai (ainda não tinha carta de condução), paguei a consulta de urgência porque ela não tinha dinheiro e levei-a a casa, sem perguntas. Quando chegámos, os pais dela estavam a sair do carro mesmo em frente ao nosso. Ajudei-a a sair e os pais pegaram nela e subiram. Nem um bom dia, um olá, um obrigado!
Nos dias seguintes ela ignorou-me nas aulas e assim até ao final do ano. Depois mudei de curso e raramente nos cruzávamos. Um dia encontrei-a no caminho para a paragem e fomos juntas, poucos metros, com conversa de circunstância. Entretanto ela parou e disse que ficava por ali. Ia comprar um bonito ramo de flores para a companheira de casa. No dia anterior doía-lhe a cabeça e a companheira deu-lhe um comprimido, foi uma querida!
Acho que fiquei sem palavras.

4 comentários:

  1. As pessoas não param de nos surpreender. Graças a Deus, nem sempre pela negativa.
    Bjs,
    MJ

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  2. Realmente... um episódio estranho e com um seguimento ainda mais estranho.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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