20 de agosto de 2015

Amamentar, uma escolha

Pensei algumas vezes se escrevia ou não sobre o tema da amamentação, mais concretamente sobre a minha experiência. Costuma ser um tema polémico e há sempre alguns extremismos. Na minha opinião, cada mulher deve decidir o que for melhor para ela e para o bebé, seja qual for a sua opção. Há quem não queira amamentar assim que o bebé nasça e também há quem amamente até o filho ter 3/4 anos. Depois de ser mãe aprendi a não julgar ou criticar as opções de cada uma, sobretudo relativamente a estes assuntos da maternidade.
Quando o Vicente nasceu o que eu mais queria era amamentar, mas não foi possível por muito tempo. Eu estava infeliz e o meu filho não aumentava de peso como seria de esperar. Entrei num turbilhão de emoções e decidi parar quando estava a começar a entrar em queda livre. Foi um primeiro mês em piloto automático.
Engravidei da Inês e um dos temas em que pensei logo foi precisamente este. A minha primeira decisão foi "não quero amamentar", "não quero passar por tudo outra vez". Depois de muito pensar, de falar com amigas, de me informar e de voltar ao curso de preparação para o parto, decidi dar uma segunda oportunidade. Tentar não custa e queria ver como as coisas corriam. E assim foi!
Na primeira hora a seguir ao parto colocaram a minha bebé ao peito e nas 23 horas seguintes foi preciso muita insistência e paciência, até que ela pegou e muito bem. Mais informada sobre o tema, o regresso a casa foi pacífico. Nunca tive dores, nem problemas no peito, por isso estava tudo a correr bem. A Inês estava a aumentar o peso dentro da normalidade e muito bem de saúde. Acho que mais não podia pedir.
Mas após duas semanas a lutar contra o que realmente sentia, já a Inês tinha 5 semanas, decidi que não queria mais amamentar. Foi uma decisão muito ponderada, com algum sentimento de culpa porque sei todas as vantagens que leite materno tem. Mas depois também tem o eu, o não me sentir bem e estar constantemente a stressar, o não estar a aproveitar a minha filha nesta fase, que por si só já não é das minhas preferidas.
Muitas vezes somos pressionadas pela sociedade, pelos profissionais de saúde, pela família, pelos amigos......não queremos que nos julguem más mães e por isso agimos segundo o que achamos que os outros vão pensar. E acho que foi por isso que demorei a decidir, porque sei que as pessoas mais importantes para mim me apoiam, mas também sei que outras pessoas estão prontas para me apontar o dedo, mesmo que seja baixinho, sem eu estar a ouvir.
Acho que tudo isto me levou a publicar este post. Mesmo sabendo que posso ser muito criticada, queria deixar aqui uma palavra de apoio a quem decide não amamentar. Quando as mães não podem amamentar por alguma motivo que não depende de si é mais fácil conversar sobre o assunto do que dizer simplesmente "eu não quero". Porque não é por isso que vamos ser piores mães, ou que os nossos filhos vão ser mais isto ou aquilo. O mais importante é que mãe e filho estejam bem e que haja sempre muito amor para dar e receber!

12 comentários:

  1. Eu não amamentei por opção. Disse logo no hospital que estava perfeitamente informada (e estava) e que não queria, portanto nunca amamentei. Tive todo o apoio da minha família, da minha médica, dos meus amigos, da minha enfermeira das aulas de prep para o parto, e mesmo as enfermeiras no hospital. Estas inclusivamente louvaram a minha atitude e mostraram que admiraram a minha coragem. Disseram que mtas mães não querem, no fundo, amamentar mas dizem que sim no hospital, e dps é um suplicio o esforço que toda a gente faz para que a coisa corra bem (e não corre). Assim eu afirmei logo a minha vontade.

    Nunca me arrependi, pelo contrário: qd tiver um segundo tb não vou amamentar. É um descanso no sentido em que controlas o que o bebé bebe, outras pessoas podem alimentá-lo, não sofres das mamas, estás sempre mental e fisicamente disponivel para ele, tens muita paciência, n tens de te expor em publico, etc etc etc. Se ela é saudável? Super saudável: raramente adoeceu, sempre óptima em termos de percentis e é uma criança muito alegre e feliz. Eu tb não fui amamentada e sou saudável. Qto à questão da vinculação, esse argumento, para mim, é um disparate: a minha menina sempre bebeu do biberão e somos super ligadas uma à outra, uma ligação que não tem explicação.

    Durante a gravidez debati-me muito sobre esta questão, não em termos de ponderar amamentar (sempre estive certa que não o faria) mas em termos do que toda a gente pensaria e diria de mim. Felizmente tive bem mais apoio do que eu pensava e conta-se por menos do que os dedos da mão as pessoas que me olharam de lado por ter tido esta opçao. Possivelmente alguém ao ler este comentário vai já deixar os seus 5 cêntimos.

    Sou completamente a favor da amamentaçao. Para quem quer. Amamentar é excelente para o bebé, e uma maravilha para as mães que gostam de o fazer, não há duvida e acho mto bem! Mas concordo contigo que há demasiada pressão sobre isso e muitas mulheres cedem apenas pela pressão.

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    1. Há uns anos atrás, ainda não era eu mãe, e uma amiga tomou a mesma decisão: não amamentar. Achei tão estranho..........acho que até a julguei! Como é que alguém não quer sequer tentar amamentar um filho?
      Mas hoje percebo que é uma decisão tão pessoal e íntima que mais ninguém tem o direito de interferir! Não se é pior nem melhor mãe por causa disso, porque o mais importante é o amor.
      Beijinhos

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  2. Eu amamentei o mais velho até aos 30 meses e estou a amamentar o 2º, tem 10m (quase a fazer 11, dia 25). Desta vez não tenho vontade de amamentar tanto tempo. Já o disse ao marido, que logo discordou da minha opinião. Mas a ver vamos... O que me faz incentivar a amamentação é a logística, para além do resto que todos já sabemos. mas principalmente a logística. No entanto como dizes e bem, deve ser uma decisão da mulher e não do mundo que a rodeia ;)

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    1. Entre marido e mulher não se mete a colher, já diz o ditado. No entanto, eu acho que a mãe é que deve tomar a decisão, pois é ela que amamenta. O importante é estarem todos felizes, seja qual for a decisão :)

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  3. Acho que cada uma de nós deve decidir e mais nada. É uma opção e não uma obrigação. Eu amamentei o Diogo até aos 4 meses e nessa altura parei por opção, porque ia trabalhar e não queria andar com uma logística de andar a tirar leite e afins. Agora do Dinis, já lá vão 4 meses e meio de amamentação exclusiva. Acho que também ajudou o facto de não ter tido dores ou desconforto. Nunca. De nenhum dos dois.

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    1. Acho que quando gostamos do que fazemos é mais fácil ultrapassar qualquer coisa. Gosto de ver mães que amamentam e têm prazer nisso. Não foi o meu caso, não consigo explicar. Aos poucos deixo para trás o sentimento de que falhei ou que não dei à Inês o melhor alimento para ela. Estou aqui para lhe dar muito amor :)
      Beijinhos

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  4. Anónimo9/25/2015

    Estou grávida de 6 semanas e, antes mesmo de engravidar, já estava decidida a não amamentar. Meu primeiro filho mamou até os 7 meses. Sei da praticidade em dar o leite materno, que é de graça e etc. mas não irei voltar atrás da minha decisão nem quero ser julgada por pensar e decidir assim. Meu esposo está ciente e NUNCA criticou minha decisão. Tenho consulta marcada semana que vem, será a primeira do pré-natal e já vou informar a minha ginecologista que decidi por não amamentar!

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    1. Estas decisões são sempre difíceis de tomar, mas não devemos pensar no que os outros vão achar ou dizer.
      O bebé já nasceu? Está tudo a correr bem?
      Beijinhos

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  5. Dei com este post agora e é-me impossível não comentar. Obrigada pelo teu testemunho, temos muito pouca informação e poucas pessoas a assumirem esta realidade nos dias que correm.
    Acabei de ser mãe e nunca questionei que queria amamentar. O meu bebé tem 4 semanas e o processo tem sido tudo menos simples... primeiro ele tinha reflexo de sucção atrasado, enervava-se na mama, engolia ar e chorava. Passei pela bomba e pelos mamilos de silicone, no entanto a subida do leite foi razoavelmente tranquila. Aos poucos consegui começar a amamentar, mas já tive mastites, ando a antibiótico e a medicamentos vários (e depois penso que lhe estou a passar a minha imunidade carregada de drogas), depois comecei a ter mamadas a durar 1h de 2h em 2h a deixarem-me exausta, e dores de intensidade diversa, que nada têm ver com a pega, apenas dói. por esta altura tudo já me passou pela cabeça, claro e ando há uns tempos a considerar terminar com isto. E este testemunho faz falta e sabe bem ler. Obrigada pela partilha!

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    1. Olá. Fico feliz por ajudar, seja de que maneira for :)
      Ser mãe é muito mais que amamentar, acredita. Não quero com isto dizer que amamentar é secundário, nada disso. Amamentar é muito importante. Mas também acho que só é importante quando a mãe está bem e feliz, pois só assim o bebé vai absorver esse bem estar e essa felicidade.
      Espero que corra tudo bem com vocês, seja qual for a tua decisão.
      Beijinhos e muitas felicidades para esta nova realidade :)

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    2. Estou plenamente de acordo contigo. As coisas só fazem sentido se nos deixarem minimamente bem e confortáveis. :)
      Quanto a mim ainda estou a tentar perceber o que funciona, mas estou sempre aberta a qualquer possibilidade. O que me deixar feliz e calma.

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