12 de setembro de 2017

A Inês vai à escola

A Inês fez 2 anos e, entretanto, setembro chegou. Por mais que se saiba que entrar na creche faz parte do crescimento e que há sempre um período de adaptação, custa sempre deixar um filho pela primeira vez no meio de desconhecidos. É verdade que eu já conheço a instituição, que conheço as pessoas. Sei que ela vai estar bem cuidada e vai ser acarinhada. Sei que tenho um relatório à minha espera assim que chego para a ir buscar, mas custa deixá-la. Olhar para aquela cara mega fofa e vê-la com olhar triste.....parte o meu coração. Tento não fazer disto um drama, mas é quase incontornável não sentir ansiedade e curiosidade para saber como se vai adaptar.
O dia chegou e lá fomos nós. Tudo calmo. Deixou vestir a bata, já não foi mau! Assim que entrámos no recinto da creche, foi pelo seu próprio pé. Estava a correr dentro do esperado. Assim que entrámos, tivemos que esperar por outra mãe que estava a falar com a educadora. Não era a educadora da Inês, mas a primeira educadora do Vicente. Uma pessoa que já conhecemos, que gostamos muito e que sabemos que vai receber a nossa filha da melhor maneira possível. Fiquei descansada. Mas a outra mãe que não parava de fazer o relatório completo do filho (este, que já devia estar na sala, porque ali não estava) ?!?! E agora usa estas fraldas, e ao almoço costuma ser assim, e a que horas dão o lanche para eu passar cá e deixar o leite x......não parava de falar! A Inês, sentada no banco da entrada, estava calma e parecia muito segura de si. Nós ali, mesmo ao lado, a pensar se aquela mãe tinha noção de que aquele dia era o primeiro e é sempre complicado para todos! 10 minutos depois ouve-se um bebé chorar numa das salas, e depois outro, e mais outro. A Inês começou a aproximar a mão dela da minha perna. Queria colo e começou com um choro baixinho. Reparei que a educadora queria tratar da entrada dela, mas também não queria mandar embora a outra mãe. Quando a Inês dá sinais, a educadora aproximou-se logo dela (e a outra mãe foi a falar, mas foi embora). Depois disto passaram segundos. Só deu tempo para dizer à Inês "Vais brincar com os meninos e antes do almoço a mãe vem-te buscar". Beijinhos e saída. Ficou a chorar.


Fiquei 2 horas a pensar como estaria. Só quando a fui buscar me disseram que ficou bem, sem choro.
No dia seguinte, a Inês ficou até ao almoço. Precisou de ajuda para a sopa (o normal) e não quis muita comida, nem a maçã.
Chega o terceiro dia e a Inês também fica a chorar. Desta vez ficou até ao lanche. O almoço já foi melhor, dormiu bem a sesta e ao lanche não comeu muito pão, mas bebeu o leite.
No dia seguinte foi o meu marido sozinho levá-la, uma vez que vai ser ele a deixá-la de manhã na creche. Ficou a chorar e quando a fui buscar estava bem. 
Último dia da semana e a Inês ficou.....sem chorar. Passou muito bem o dia.

Retomamos a segunda semana e tem ficado um bocadinho chorona, mas depois o feedback que temos é que fica bem e é um docinho. Espero que ela nunca mostre o seu lado mais malandro!!!!!
Aos pouquinhos ela vai percebendo que faz parte e que ninguém a está a abandonar.
Entretanto, o Vicente também vai começar a escola e as rotinas vão entrar finalmente nos eixos.

2 comentários:

  1. Há sempre pais e mães que pensam que só existem eles no mundo. Falta de noção, de educação, de civismo? Nem sei. Só sei que já me vi muitas vezes em situações parecidas com esta... A pequena Inês foi uma heroína! E vai tudo correr muito bem, de certeza.
    Um beijinho especial para ela

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    1. Verdade. Se fosse ali um minutinho ou dois?!...vá, também devia ser a primeira vez do filho.....mas foi tempo demais......
      Beijinho grande *

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