7 de março de 2018

As crianças e a morte

Este tema é sempre estranho para mim. Não tenho nenhuma posição vincada sobre o assunto. Devemos explicar o que é a morte? A partir de que idade devemos falar?! Eu acho que cada pessoa deve fazer aquilo que acha mais correto com os filhos. E já se sabe que, mais cedo ou mais tarde, este tema vai ser alvo de assunto com as crianças.
Quando o Vicente nasceu, o avô paterno já não estava entre nós. Ele nunca o conheceu. Começou a ver fotografias e a ouvir falar dele e um dia perguntou onde estava o avô. Era de noite, íamos de carro e, na altura, só nos ocorreu dizer que era uma daquelas estrelas brilhantes. Desde então, sempre que ele via uma estrela dizia que era o avô.
Por outro lado, e como os meus pais são católicos praticantes, o Vicente, desde cedo, entrou em igrejas e cemitérios. Nunca escondemos o que significava, mas ele sempre achou que o avô era aquela estrela brilhante.
Há dois anos faleceu a minha avó materna. A bisavó do Vicente, com quem ele sempre conviveu. Nunca consegui falar com ele sobre esse assunto. E sempre estranhei ele não perguntar, pois era visita frequente a casa dela.
Meio ano depois, estávamos num casamento e alguém da mesa, que não conhecíamos, estava a meter conversa com o Vicente, com 4 anos. Então e a escola, e os amigos, e gostas disto, e gostas daquilo.....e os doces.....e os avós são fixes porque dão muitos doces....!!!! E assim do nada o Vicente diz: "eu tenho 5 avós, mas uma delas foi viver para muito longe, num prédio tão alto que chega ao céu...e eu não posso vê-la porque é muito difícil lá chegar"....Eu fiquei parva com tamanha resposta, mas depois não falámos sobre isso!
Há pouco mais de uma semana, íamos de carro, de noite, e o Vicente, com 5 anos, comentou: "Olha mamã, está uma estrela muito brilhante a seguir-nos. Sabes quem é? É o bubu! Mas olha, está outra mesmo ao lado também muito brilhante. Acho que já sei quem é.....é a bisavó!". Bem, eu fiquei sem saber o que dizer, o que pensar. Saiu-me um "tu sabes que a bisavó já morreu, não já?!", ao que ele responde de forma segura e calma: "Claro que sim!".

6 comentários:

  1. Ás vezes questiono-me se não somos nós que complicamos este tema. A Clara tinha 2 anos quando perdeu a avo paterna, durante algum tempo foi perguntando por ela e apenas consegui dizer que ela já não estava entre nós. Cheguei a referir que era uma estrela que cuidava de nós, mas na cabecinha dela a avo não podia ser uma estrela porque elas estão muito altas e a avo não chega lá... e ficamos sem saber o que dizer.

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    1. Às vezes as crianças surpreendem-nos....e muito! Para mim não é fácil lidar com esta situação, pelo menos enquanto são muito pequeninos! Ainda confundem realidade com ficção e isso deixa-me sempre a pensar qual a melhor forma de explicar determinadas coisas.
      Beijinhos

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  2. Eu tinha 8 anos qd a minha avó morreu eu adorava-a na altura ninguém me escondeu nada até porque o assunto criancinhas traumatizadas não se falava. Fui ao enterro e ao cemitério vestiram me de preto. Mas fiquei de facto traumatizada ainda hoje visto pouca roupa preta. Acho que se deve explicar de uma forma a que eles não sofram.
    Xoxo

    marisasclosetblog.com

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    1. Marisa, acho que é a primeira vez que alguém me diz assim tão diretamente como lidou com a morte de alguém querido ainda tão pequenina. Não deve ter sido fácil. Acho que não há a forma ideal para explicar estas coisas!!!
      Beijinhos

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  3. Penso que não há uma idade certa para explucar estes assuntos às crianças. Elas acabam por perceber naturalmente e intuitivanente... Uma Santa Páscoa, bjinho.

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    1. Concordo.
      Santa Páscoa, Manuela.
      Beijinhos :-)

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